[ Depoimento do Reclamante e do Preposto em Juízo ]

O motivo de maior preocupação entre os prepostos é sem dúvida o momento em que o juiz colhe os depoimentos, na fase de instrução do processo.

Isso ocorre porque, a despeito de apurar a verdade dos fatos, na oitiva do preposto estará o juiz em busca de uma eventual confissão. Na hipótese de sua ocorrência, o julgamento certamente será pela procedência da ação, em desfavor do empregador que suportará os efeitos financeiros dessa decisão.

Em regra, a oitiva das partes começa pelo depoimento do reclamante. Esse depoimento e tomado sem a presença do preposto da empresa, que é gentilmente convidado a se retirar da sala de audiências.

Colhido o depoimento do reclamante, este, por sua vez, é convidado a se retirar da sala de audiências. Em seguida, será ouvido o preposto da empresa.

Observe-se que a situação se inverteu.

Interessante registrar também que os depoentes não poderão ler apontamentos que estejam em mãos, nem se valer de orientações de seus advogados. Os juízes sequer permitem que o depoente olhe para o advogado, pois um gesto pode ser interpretado como confirmação, comprometendo a verdade dos fatos que se quer alcançar.

Assim, no depoimento do reclamante o juiz estará em busca de verificar se ação ajuizada é improcedente. Já na oitiva do preposto da empresa o julgador estará a procura de obter uma confissão.

No depoimento, o preposto não poderá dizer que desconhece o assunto, “acho isso…”, “mais ou menos isso…”, etc. A empresa será condenada se o preposto não afirmar em linhas gerais com convicção. É isso e pronto.

Por isso, deve se preparar para a audiência e manter a calma e suas respostas devem ser claras e objetivas, limitando-se ao que for perguntado.

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Eduardo Luis Souza de Athayde Nunes. É advogado e professor. Atualmente, trabalha em pareceria com a empresa EDUCAREVIRTUAL, no ensino a distância, em Brasília/DF.

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